com amor cativo

tinha mãos levantadas
erguidas bem alto
como quisesse tocar o céu
mas era só rendição

os lábios fraturados pela sede
apertavam-se trêmulos
como estivessem prestes a dizer
mas era só medo e silêncio

e aquelas roupas imundas
faziam dele um pedaço magoado
de uma terra sozinha e medonha
onde os maus se achegavam aos montes

será que outra vida há guardada
depois que os maus me levarem longe
ou será só escuro e sem céu
onde mãos altas nenhumas podem tocar

há muros e mulheres e escuros
e crianças roubadas das mães
toda gente doída e sem graça
com olhos vazios pendentes ao chão

e as moscas sem as sopas eram companhia
para o menino cativo pelos maus
pensava bom era o escuro da casa da mãe
sem luz sem água mas com amor